
ATENÇÃO: Conteúdo sensível.
A bebé que estava a ser transportada parecia ter um ou dois anos. Ela estava no colo de um menino que tinha apenas um braço, e que também perdia muito sangue, mas ainda assim, se mantinha em pé. Parecia um milagre o facto dele apesar de estar gravemente ferido e desfigurado, conseguir se manter em pé. A forma como ele se aguentava, parecia que estava a ser suportado por uma força sobrenatural que lhe permitia fazer todo aquele esforço antes de expelir o seu último suspiro.
A bebé tinha a barriga totalmente aberta, via-se o estômago, os rins, os pulmões o coração e demais órgãos até então internos. Certamente ela já estava morta!
As vísceras estavam expostas, e sobre o corpo daquela bebé já sem vida, e escorria muito sangue que passava pelo único braço do irmão que também era uma criança de doze anos, que transportava aquela bebé, que em vida, num tempo de cinco minutos que antecedeu aquele ataque a mãe daquelas crianças que também morreu devido o ataque, tinha entregue ao filho a sua irmã para descerem as escadas as pressas enquanto ela tentava tirar o outro filho que se encontrava doente na cama, impossibilitado de andar.
Soubemos que não houve tempo. Aquele míssil ou bomba, até o momento não sabemos exactamente que tipo de projéctil foi, pois foi tão rápido e destruidor que o olhar que tínhamos sobre o prédio apenas nos fez testemunhas oculares daquele horror.
Estávamos horrorizados e ficamos em choque. O menino não chorava, andava sem direcção marcando passos que pareciam ser rápidos mais eram muito lentos.
No meio de toda aquela ruína que havia restado do edifício que agora estava totalmente destruído, ainda haviam os destroços que tinham sido projectados pelo impacto da explosão, e entre o fogo, a poeira e os destroços que caíam sobre o chão faziam qualquer um que estivesse próximo uma nova vítima.
A descrição deste horror que certamente entristece qualquer humano que se mantem ainda humano, pode ser do que acontece em qualquer guerra. Seja no continente africano, europeu, asiático, americano ou em qualquer outro espaço. A infeliz realidade factual é que onde a guerra se instala sempre causa a morte.
No entanto, apesar da guerra ser sinónimo da morte, a hipocrisia que foi instalada no mundo, com as vozes que são pagas para fazerem o eco, e como caixas de ressonância que passam a ser, diariamente fingem não saber os efeitos da guerra, continuamente manipulam a opinião pública nacional e internacional, fazendo debates, tecendo comentários como se os efeitos da guerra fossem prioritariamente económicos, dando destaque ao dinheiro como se o dinheiro fosse mais importante que a vida das pessoas que morrem diariamente devido a guerra, que é financiada pela ganância do egocentrismo.
Que tipo de justificação proporciona a legitimidade para a morte de pessoas inocentes? E envolvem a crença a Deus! Sinceramente!
A guerra causa mortes, destruição, sofrimento, dor e mais dor, traumas, tristeza, angústia, depressão, a lista dos maus resultados da guerra pode completar mais de um capítulo se estivesse a ser usada como fundamento para escrever um livro.
Os títulos e rótulos dos cargos nacionais e internacionais que tem servido para envaidecer os que podem porque tem algum poder, e por assim ser têm revelado à arrogância, claramente não tem servido para fortalecer o pudor e o equilíbrio para evitar as guerras. As bocas com as vozes aparentemente autorizadas para ditarem a “pseudo-verdade”, falam muito sobre a guerra, mas não falam do pior problema causado pela guerra, no caso a “morte”.
Somos poucos, mas ainda ‘assim arriscamos afirmar que não temos qualquer dúvida que quem lê este texto, certamente tem no seu histórico a dura e amarga experiência de já ter perdido alguém que conheceu. A perca que fazemos referência é a causada pela morte. Infelizmente, todos nós já fomos vítimas das consequências da morte ou das mortes, seja de um familiar ou alguém que conhecemos. A lista das vítimas das mortes nos faz recordar que também somos meros mortais, apesar do poder momentâneo parecer causar amnésia aos detentores do poder.
E por cá, apesar do tempo e do perdão muito propagado as conveniências, ainda somos milhares que sofremos directamente e continuamos a sofrer às consequências das mortes causadas pela guerra. Temos experiências suficientes para não aconselhar ninguém a optar pela guerra. A guerra não é uma boa escolha de vida porque a guerra tem o rosto do crime!
A mensagem da guerra é directa… A guerra causa morte e mortes, imenso sofrimento, muita desgraça, mais sofrimento e mais mortes!
Não interessa se a guerra esta no continente africano, europeu, asiático, americano ou na Antárctida. Se é guerra tenhamos a coragem de reconhecer que o principal prejuízo que a guerra causa são as mortes.
Nestas lides de aprendermos um pouco mais, temos frequentado alguns contextos de aprendizagem, e por lá, com os livros em mãos alguns colegas da vida da escrita fazem saber que as guerras proporcionam o desenvolvimento.
Eles dizem que: “por meio da guerra os países fazem mais investimentos na tecnologia, aplica-se novos modelos económicos, a disciplina social colectiva passa a ser mais rigorosa”, enfim, argumentos que defendem a guerra como sendo necessária.
O absurdo de desviar o assunto da mensagem da guerra cria milhares de cúmplices das mortes por omissão.
No contexto da especialidade da comunicação em Angola, apesar das aparentes banalidades que actualmente o campo da comunicação vive, como se todos fossem “experts” e por isso quem se dedica a estudar a comunicação parece estar a perder o seu tempo, pois basta alguém ter um telemóvel, e algumas redes sociais com um tal número de visualizações, passa a ser tido como um profissional de comunicação 《…》às aspas são propositadas para dar ênfase a ironia, pois a realidade dos factos, pelo mundo, são vários os analistas que têm propagado impressões fundamentadas nas causas e razões das guerras, que infelizmente nos deixam atónitos porque eles, pela omissão também têm contribuído no aumento do número de mortes causadas pela guerra.
O petróleo, os diamantes, a tecnologia, e todos recursos inerentes a economia nenhum recurso tem mais valor que a vida humana.
Tenham coragem e falem dos números de mortes causadas pela guerra. Vamos debater o bem maior que é a vida e não a morte!
Caso contrário, tenham vergonha e como supostos líderes que dizem ser, se assumem como tal, e peguem em espadas ou armas. Marquem um duelo e vão se enfrentar a moda antiga. Nós nos predispomos em sermos a plateia. Cambada de hipócritas. Tenham honra e deixem nós povo inocentes com a vida que Deus nos concede.
Portanto, falsos pretextos a parte, pois, infelizmente a principal mensagem da guerra é a morte. Contrariamente, o princípio da existência humana é a vida. É pela vida que a humanidade devia estar a usar a sua inteligência e o seu conhecimento, pois infelizmente a mensagem da guerra é a morte!
E mais não digo!
Por enquanto (…)
PP/ Em memória das vítimas das guerras.

