O ANJO DOS POBRES
ATENÇÃO: Texto profundamente real. Não deve ser lido por quem não existe.
Por: Bento dos Santos.
Escritor e Comunicólogo.
Data da publicação: 01/04/2026.
Angola/Luanda.
Naquele dia, que parecia ser apenas mais um dia como qualquer outro dia, quando a Guilmar lamentou sobre a indiferença de muitas pessoas que preferem acumular fortunas bilionárias nos bancos, e não se importam com as consequências da pobreza, o irmão da Guilmar, o jovem Password ouviu com muita atenção. Ele não teceu nenhum comentário depois de ter ouvido as profundas lamentações da irmã que estava aparentemente desolada com a dimensão da injustiça humana.
Entre as várias reflexões que a Guilmar exprimiu, dá-se destaque a seguinte: “Eles preferem ter o dinheiro acumulado nos bancos. São tão gananciosos que passam a ser idiotas que se contentam alimentando o ego ao consultarem uma representação numérica abstracta. Eles preferem ter triliões de dólares representados em números quando consultam o saldo. Quase sempre eles não conseguem ler o número do dinheiro que possuem na conta, e nem sequer têm tempo de usufruir plenamente dos benefícios que todo aquele dinheiro podia os proporcionar. São psicopatas! Estão doentes e não sabem!”.
As abordagens da Guilmar podiam dar origem a uma conversa com várias análises, mas teve o seu término em forma de monólogo.
O Password não disse absolutamente nada, e a conversa ficou por ai… apenas lamentações da Guilmar.
Não passava pela cabeça da Guilmar, que o seu jovem irmão tivesse levado tão a fundo o que ela havia dito sobre a ganância da riqueza humana, e que, por meio do que ela havia dito, o seu irmão, o jovem Password tinha arquitectado um plano que deu origem a maior crise económica e financeira dos últimos tempos.
O jovem Password era detentor de conhecimentos especiais do sector da tecnologia. Ele não possuía títulos académicos das universidades. Era um jovem autodidacta, motivado pela curiosidade. No entanto, o Password era capaz de fazer o possível e por vezes também era capaz de fazer o que parecia impossível de ser feito no campo da tecnologia.
A mais de duas semanas que os bancos mundiais enfrentavam uma invasão no sistema de gestão. Aquela invasão nunca antes vista, havia retirado das contas bilionárias dos bancos muito dinheiro e distribuído equitativamente o dinheiro entre as inúmeras contas dos clientes que possuíam pouco dinheiro.
Para um melhor entendimento do que realmente se passava, imagina que tenhas uma conta em determinado banco, e que a tua conta tenha apenas um valor mínimo, cinquenta cêntimos é o teu saldo positivo, ou que não tivesses saldo positivo. Entretanto, de repente passas a ter como saldo positivo o equivalente a cinquenta ou cem mil dólares norte americanos, ou cinquenta ou vinte mil euros. Foi exactamente o que estava a ocorrer, as pessoas faziam a consulta do saldo e encontravam as suas contas com saldo positivo, ou seja, encontravam as contas recheadas de dinheiro.
Quando os gestores dos bancos perceberam o problema, suspenderam o atendimento ao público, mas por mais esforço que faziam por meio do trabalho de especialistas e técnicos, ainda assim, não conseguiam superar o problema.
A notícia sobre o que estava a ocorrer espalhou-se, e a população apelidou de “Anjo dos Pobres” o racker, o estranho anónimo que estava por trás daquela situação.
O Anjo dos Pobres havia publicado uma mensagem que estava a ser considerada como “o manifesto da liberdade económica”.
A opinião pública passou a designar a mensagem do Anjo dos Pobres como sendo o “manifesto da liberdade”.
O texto fazia saber que: “o dinheiro é um instrumento de troca que geralmente é usado por quem o possui em híper excedente como estratégia de controlo e subjugação aos pobres, e submeter os mais necessitados na condição de serventes”.
A mão do Anjo dos Pobres estava sobre todos bancos. A nível mundial a riqueza dos números estagnados nas imensas contas dos bilionários que possuíam triliões estava agora distribuída para todos que precisam do dinheiro para suprimir necessidades reais do dia-à-dia.
A Guilmar estava espantada com o que estava a ver. O golpe que havia derrubado todo sistema económico e financeiro a nível mundial estava a ser realizado a partir de uma simples máquina comum que qualquer pessoa podia obter, e a motivação para aquela proeza teve início na sua lamentação. Entretanto, aqueles que antes eram pobres pela falta de dinheiro, passaram a agir de igual forma, buscavam o máximo dinheiro possível para acumular, não usufruindo das inúmeras possibilidades que o dinheiro concede.
O golpe que o Anjo dos Pobres tinha realizado, na realidade foi praticado por um jovem que acabará de transitar da adolescência e começava a experimentar a juventude. O Anjo dos Pobres sempre esteve junto dela.

